quinta-feira, 3 de maio de 2012

A tragédia dos líderes religiosos

"Nem todo aquele que me diz: ‘Senhor, Senhor’, entrará no Reino dos céus, mas apenas aquele que faz a vontade de meu Pai que está nos céus.
Muitos me dirão naquele dia: ‘Senhor, Senhor, não profetizamos nós em teu nome? Em teu nome não expulsamos demônios e não realizamos muitos milagres? ’
Então eu lhes direi claramente: ‘Nunca os conheci. Afastem-se de mim vocês, que praticam o mal! ’ " Mateus7.21-23

Desde criança ouvia os líderes religiosos do segmento que eu pertencia comentarem sobre os líderes religiosos de outro segmento assim: “Eles estudam tanto, conhecem a verdade, como podem ainda continuar no erro e ensinar mentiras?”. E muitos fiéis repetiam o mesmo questionamento. Eu fiz isso várias vezes. Não entendia como podiam continuar fazendo algo totalmente contrário ao que a Bíblia ensina de forma tão clara.

Mas recentemente esse mesmo questionamento me veio à mente sobre os líderes religiosos do segmento que eu seguia. Foi quando descobri que são todos farinha do mesmo saco. Falam dos outros, mas fazem a mesma coisa.

Como diz uma amiga minha, não vai ter perdão para os líderes religiosos. Eles frequentam seminários por cerca de quatro anos, muitos fazem mestrado, doutorado em Teologia, estudam grego e hebraico, história da Igreja etc etc, e mesmo assim continuam vivendo e ensinando doutrinas contrárias à Torah (Pentateuco). Como pode isso?

Um pequeno exemplo é o significado de pecado e de iniquidade. A vida inteira dentro do sistema religioso eu ouvi que pecado era errar o alvo. Mas que alvo é esse? E então comecei o processo de desconstrução e descubro que o alvo é a Torah, que pecado é não cumprir a Torah, a Lei. Mas os meus ex-líderes não viram isso nos seminários, mestrados e doutorados? E como eles se atreviam a me dizer que eu não precisava guardar o sábado e que podia comer todo tipo de animais impuros que a Torah proíbe, por exemplo, e ainda ousavam dizer que essas e outras partes da Torah foram abolidas?

E quando lemos sobre a história da Igreja o questionamento continua. Como eles podem continuar vivendo rituais pagãos, celebrando festas pagãs, como podem, depois de aprenderem tudo que ouviram nos seminários? Ou pelo menos deveriam ter aprendido.

Infelizmente tenho que concordar com minha amiga, não haverá perdão para esses líderes religiosos, que estudam tanto, leem tanto, e continuam vivendo e ensinando errado. Nunca leram Mateus5.19?: "Todo aquele que desobedecer a um desses mandamentos, ainda que dos menores, e ensinar os outros a fazerem o mesmo, será chamado menor no Reino dos céus; mas todo aquele que praticar e ensinar estes mandamentos será chamado grande no Reino dos céus." [grifos meus]

E, como diz meu marido, o texto da Bíblia que mais me dá medo é o de Mateus 7, que citei no início. Que tragédia a pessoa pensar que segue a verdade e no final descobrir que fez tudo errado, é a tragédia da parede errada. Apesar de eu não acreditar na inocência dos líderes religiosos, porque estudam e deveriam conhecer a verdade, ainda assim a tragédia deles será grande. Eu tenho muito medo de ouvir do Messias que ele nunca me conheceu. Como esses líderes não têm medo disso?

“Explicam os nossos sábios que cada um é julgado de acordo com seu nível espiritual. Quanto maior o nível de uma pessoa ou povo, maior é a rigorosidade do seu julgamento. Por quê? Pois quanto maior o nível de uma pessoa, mais ela influencia o mundo inteiro e, portanto, seus erros atingem de forma mais intensa as pessoas. Comparando com uma empresa, se o faxineiro comete um erro, a empresa fica um pouco mais suja, mas não deixa de funcionar. Porém, se o presidente comete um erro, a empresa pode falir.” Efraim Birbojm

terça-feira, 30 de agosto de 2011

Perdi a fé em quase tudo, menos no Eterno

Impossível comer salsicha depois que vi como ela é feita!

Na época em que comia embutidos, ou melhor, salaminho era o único que eu gostava, um amigo engenheiro químico vivia me dizendo: "Se você soubesse como isso é feito, não comeriam." Sempre fui meio como o detetive Monk, mas mesmo assim continuava comendo, apesar de sempre lembrar de suas palavras. Enfim, hoje não como porque comecei a praticar a alimentação bíblica. E um dia assisti a um documentário na TV e foi horrível, realmente vi como os embutidos são feitos. Que nojo, e eu comia aquilo! Não gosto nem de lembrar.

Mas um dia também entendi que a expressão de "ver como a salsicha é feita" pode-se aplicar a outras situações. Li um texto que falava exatamente disso, em que o autor explicava porque saiu do sistema religioso e no final ele dizia que viu como a salsicha é feita.

E isso é a mais pura verdade. Eu também vi muito de perto como a salsicha é feita nos bastidores religiosos, porque não fui uma "esquentadora de banco", sempre estive no meio da liderança e conheço o processo. Também conheço os bastidores da educação, já trabalhei no sistema público e no privado. E assim fui perdendo a fé no sistema.

Enfim, impossível comer salsicha depois que vi como ela é feita!

Por isso perdi a fé em todo e qualquer sistema. Perdi a fé no sistema religioso, e já tenho falado nisso há vários anos e posts aqui no blog.

Perdi a fé na política e nos políticos. Não acredito que alguém possa resolver os problemas do mundo. Até porque o mundo precisa estar muito, muito, muito ruim, para que o povo queira muito um salvador e assim o antimessias aparecerá como esse "salvador" e vai conseguir enganar o povo sedento de soluções e milagres. Em consequência da minha incredulidade anulo sempre o meu voto. Não vou fazer aliança com nenhum humano e muito menos com um sistema em que não acredito. Sou a favor da monarquia e estou aguardando o meu Rei chegar.

Enquanto isso continuo orando pelo meu país, meu estado, minha cidade, meu bairro... Não amaldiçoo as autoridades e não falo nada sobre elas. Apenas oro e procuro orar segundo a vontade do Eterno, tenho muito medo de orar contra a vontade dele, por isso não participo mais de grupos de oração pela nação e nem das correntes que recebo por correio eletrônico, pedindo para orar para que um religioso seja eleito. Minha oração é que a vontade do Eterno seja feita, apenas isso.

Perdi a fé no sistema educacional. Estive lá dentro e sei que está falido. E tem que ser assim, o povo, a massa, não pode ser bem alfabetizada, não pode ter instrução, não pode ter pensamento crítico, para poder ser manipulado pelo sistema e acreditar no antimessias, quando ele assumir o poder. Como diz minha amiga, as pessoas estão como se zumbis tivessem comido seu cérebro.

Perdi a fé no futebol. Bem, nunca fui torcedora de verdade, mas na Copa do Mundo eu virava torcedora, comprava roupas e acessórios, assistia aos jogos. Mas um dia perdi a fé completamente. Creio que os resultados são combinados e é tudo um grande teatro. Hoje só acredito em resultado de uma pelada de amigos na esquina de casa.

É, sou uma incrédula, não acredito em sistemas humanos, perdi a fé em quase tudo.

Só não perdi a minha fé no Eterno, pelo contrário, quanto mais perco a fé no mundo, mais aumenta a minha fé no Criador.


P.S.: Para quem está querendo saber do sentido literal, ou seja, como a salsicha é feita, este texto está bem interessante. Aqui em casa, além da alimentação bíblica, estamos evitando produtos industrializados, então, ainda que não houvesse a possibilidade de ter porco, não compraríamos. Mesmo antes da teshuvah eu não comia salsicha, no máximo salaminho e presunto de peru.

Igrejas usando meios carnais

terça-feira, 23 de agosto de 2011

Aos críticos de plantão

Antes de criticar, faça o dever de casa.


Texto do blog Colcha de retalhos:

Talvez haja mais alguém que leu o texto Minha trajetória de desconstrução e está pensando que eu não deveria dizer que estava insatisfeita com o sistema das igrejas institucionais. Talvez mais alguém pense que isso é falar mal das igrejas, como se dizer a verdade fosse falar mal. Talvez haja mais alguém criticando uma pessoa da família que também resolveu sair do sistema e por qualquer problema que aconteça fica dizendo que a pessoa está assim porque saiu da igreja. Parece que os evangélicos adotaram o lema de que “fora da igreja não há salvação” e querem jogar esse fardo em cima de nós. Ou então mais alguém pense que eu não deveria dizer que algumas pessoas nem falam comigo porque decidi buscar mais do Pai. Aos críticos de plantão, gostaria de dizer algumas coisas.

Se vocês estão satisfeitos com suas igrejas, se suas ovelhas estão felizes, se o evangelho que vocês pregam funciona, se não há enfermidades, se as pessoas estão sendo curadas física, emocional e espiritualmente, se elas encontram as respostas que procuram, se elas veem o que está na Bíblia acontecer de fato nas suas igrejas, se há multiplicação de pães, sinais e maravilhas, se nas suas igrejas a Bíblia e a oração têm mais prioridade que festinhas e as pessoas estão crescendo espiritualmente, visivelmente, se a vida delas está sendo realmente transformadas, então, parabéns, continuem assim.

Mas saiba que vocês devem ser 1% de todos os cristãos. Porque infelizmente a maioria das ovelhas não vê isso.

E eu escrevo para essas pessoas que estão desesperadas por respostas, que estão insatisfeitas com as igrejas e querem mais do Pai. Elas querem o sobrenatural que não encontram nas igrejas. Elas têm sede e fome do sobrenatural, mas não encontram.

São milhares de pessoas, que ficam procurando de igreja em igreja, de culto de poder em culto de poder, para ver se encontram o que a Bíblia diz que os cristãos teriam. E sofrem sozinhas.

E não posso, de maneira alguma, deixar que elas pensem que sou hipócrita e que minha vida está um mar de rosas, porque decidi assumir que quero mais do que isso que se tem oferecido nas igrejas. Elas precisam saber que há um preço, que não é fácil. Elas precisam saber que seus familiares e amigos vão ficar contra elas, sim. O verdadeiro profeta diz a verdade e não quero estar entre os falsos profetas.

Os críticos não têm ideia do número de pessoas que me procuram, que leem um texto meu e se identificam, que estão vivendo angústias como eu vivi e não têm respostas. E se sentem felizes porque descobrem que não são as únicas. Elas sofrem, vocês não devem imaginar o quanto..

Os líderes não fazem ideia da angústia no coração das ovelhas. Elas querem mais do Pai, querem mais que festinhas. Elas querem o sobrenatural. Se eles de fato parassem para ouvi-las. Quem trabalha com libertação interdenominacional ouve a tristeza dos corações delas e sabe do que estou falando e sabe que é verdade.

É para elas que escrevo e não posso parar. Porque há muita gente precisando de ajuda. Há muitas pessoas saindo das igrejas e sendo acusadas de desviadas pelos seus familiares e sendo amaldiçoadas por seus líderes. Quando na verdade elas saem para buscar mais do Pai, porque o sistema impede essa busca.

As pessoas estão cansadas do discurso "venham para a igreja, que Jesus resolve seus problemas" e depois de um ou dois anos elas veem que não resolveu, e que só piorou. E então elas ouvem que a culpa é delas, que devem estar em pecado ou então que não estão ofertando o suficiente, por isso não funciona. Elas se decepcionam profundamente e se sentem enganadas.

Elas não querem líderes que as encaminhem a psicólogos e hospitais quando ficam doentes. Elas querem líderes que oram e que o milagre aconteça. Ou então que ensinem como orar para o milagre acontecer. Elas querem líderes que obedeçam ao texto de Mateus 10.8: “Curem os enfermos, ressuscitem os mortos, purifiquem os leprosos, expulsem os demônios. Vocês receberam de graça; dêem também de graça”. Elas não querem ouvir um líder dizer que se a pessoa não puder ter filhos, ela pode ter um filho do coração, ou o que é pior, que “a medicina hoje está tão avançada...”. Elas querem líderes que vivam o que diz Marcos 16.17,18: “Estes sinais acompanharão os que crerem: em meu nome expulsarão demônios; falarão novas línguas; pegarão em serpentes; e, se beberem algum veneno mortal, não lhes fará mal nenhum; imporão as mãos sobre os doentes, e estes ficarão curados". Elas querem líderes que tenham fé. Estão cansadas da síndrome de ser como Jó.

Elas querem viver isso que a Bíblia diz, simples assim: "Todas estas bênçãos virão sobre vocês e os acompanharão, se vocês obedecerem ao Eterno, o seu Pai: Vocês serão abençoados..." "Entretanto, se vocês não obedecerem ao Eterno, o seu Pai, e não seguirem cuidadosamente todos os seus mandamentos e decretos que hoje lhes dou, todas estas maldições cairão sobre vocês e os atingirão:" Deuteronômio 28.2,3a,15,16. E não querem ser impedidas de obedecer ao Pai e suas instruções. Elas não querem líderes que ensinem que a Torah foi abolida, mas insistem em pregar esses textos. Afinal, é para obedecer ou não é para obedecer? Querem as bênçãos, mas não querem a disciplina?

Sei, já disse e repito, ainda não estou nesse nível, mas estou buscando, e nada vai me impedir de buscar isso, nada. Eu quero viver o sobrenatural. Cansei de brincar de igreja, cansei de brincar de evangelho, e cansei de líderes que selecionam partes da Bíblia segundo o interesse ou a fé deles. Eu quero um evangelho que funcione.

Chega de pregadores que só sabem evangelizar e que contabilizam os que levantaram a mão no apelo, mas depois de um ano onde estão essas pessoas? E as promessas que ouviram naquele sermão?

Vocês precisam ouvir essas pessoas. Vocês precisam ouvir as pessoas que não aguentam mais o discurso diferente da prática. Vocês precisam ouvir aqueles que vocês chamam de desviados.

E é para eles que fui chamada. Para cuidar das feridas dos "desviados". E é por eles que choro. Porque sou uma "desviada" e eles se identificam comigo e percebem que não estão sozinhos.

Mas não posso enganá-los, fingindo que vai ser fácil. De jeito nenhum. Eu estaria mentindo e não posso fazer isso. Eles precisam saber que o caminho é muito estreito, que vai ser difícil, que vai ser muito difícil.

Tenho recebido muitas respostas de pessoas que leram meus textos e viram que não eram malucas ou desajustadas, e que há uma resposta, há uma saída. Vocês não fazem ideia de quantas pessoas me procuram dizendo isso. E eu nem faço ideia de quantas são consoladas e nem fico sabendo.

Se o seu evangelho funciona, parabéns, mas os outros 99% não funcionam, e eu não posso me calar diante disso. Meu papel é exortar, "quer ouçam..., quer deixem de ouvir".

quarta-feira, 17 de agosto de 2011

Livre das maldições dos púlpitos: saí do sistema e sobrevivi

"Saiam dela, vocês, povo meu, para que vocês não participem dos seus pecados..." Apocalipse 18.4

(Se você está satisfeito com sua religião, com seu grupo religioso, ótimo, este post não é para você. Mas respeite os insatisfeitos, porque a dor deles é muito grande e você não faz ideia de como é isso. Já que você não fez o dever de casa* (leia abaixo) e não está disposto a se colocar no lugar do outro, tenha pelo menos dignidade de se calar.)


Aos insatisfeitos

Por muito tempo nós acreditamos nas maldições que os líderes religiosos fazem para aqueles que se atrevem a questionar alguma coisa. Eles vivem dizendo que quem sair do sistema vai esfriar, porque brasa longe da fogueira apaga, ou que “não se pode deixar a congregação, como é costume de muitos”, citando o texto bíblico favorito deles, ou dizem que todas as maldições possíveis vão cair sobre a pessoa que não der o dízimo... enfim, maldição não falta. Isso para mim é coisa de sociedade secreta ou de certos grupos que ameaçam a pessoa que quer sair.

Se você não aguenta mais o sistema religioso, se está cansado de tudo, mas não vê uma saída, se você quer sair pelos motivos certos, ou seja, buscar mais do Pai, sem intermediários que não dão testemunho, se você quer mais do Eterno, mas sente que o sistema impede isso, se está cansado de tantos eventos vazios e sermões ameaçadores e capitalistas, não tenha medo.

Você é livre para sair do sistema. Você não precisa acreditar nas maldições dos líderes religiosos. Acredite, há vida fora do sistema religioso. Existe uma alternativa entre igreja e mundo. Não acredite nas maldições, seja livre, tenha coragem e saia.

Não, você não vai ficar falido se não der o dízimo a uma instituição religiosa. Não, a sua fé não vai esfriar, a não ser que você permita, a não ser que você pare de buscar a comunhão com o Eterno. Não, você não precisa de cobertura espiritual, isso não está na Bíblia. Não, você não vai para o inferno se não frequentar uma “igreja”, porque não é igreja que salva.

Sim, você vai ser chamado de herege, mundano, apóstata, desviado etc. Sim, vão te perseguir, vão te condenar, mas o nosso Mestre já havia dito que isso aconteceria com quem ousasse segui-lo. Então, seja bem-vindo ao time dos que são perseguidos por amor ao Messias.

Estou fora do sistema há três anos e sobrevivi. E minha fé não esfriou, muito pelo contrário, tem aumentado a cada dia. E prosperidade vem através da obediência aos mandamentos, principalmente o quarto mandamento e vem para os que pagam seus impostos com honestidade.

Conheço pessoas que estão fora do sistema há vinte anos e sobreviveram. Então, não tenha medo, você também vai sobreviver. Se está disposto a pagar o preço da perseguição para sair em busca da verdade, você vai sobreviver. E vai perceber que as maldições não vão mais funcionar com você. Seja livre das algemas do sistema religioso e viva.

Você não precisa ficar sozinho, se não quiser. Se seu cônjuge e filhos estão te apoiando e vivendo esse momento com você, então você já tem uma igreja dentro de sua casa, sua família. Invista nela. Também pode procurar um grupo de amigos que também saíram do sistema e marcar encontros com eles, para conversarem e comerem juntos, compartilhando suas experiências com o Eterno. Mas não queria fazer disso uma outra igreja institucionalizada. Seja simples e viva essa experiência de simplicidade com o Pai.

Há salvação fora do sistema religioso, porque a salvação está no Messias e não no sistema.

Leia também
Dízimo ou mensalidade do clube?

* Dever de casa: 
Quantos sem-igreja você entrevistou, ouviu com o coração aberto, entendeu seus questionamentos?
De quantas reuniões de grupos diferentes dos sem-igreja você participou?
Quantos livros e artigos sobre o assunto você leu?
Quantas palestras sobre o assunto você ouviu?

sábado, 11 de junho de 2011

Heresia

Sair do sistema por entender que pode e deve obedecer à Lei não é heresia. Obedecer à Lei não é heresia. A Lei não foi abolida.

Não entendo porque não é heresia não adulterar, não matar, não furtar, mas insistem em dizer que é heresia guardar o sábado.

Heresia é colocar o nome "gospel" nas coisas e achar que elas se tornaram santas: balada "gospel", funk "gospel", namoro "gospel".

Heresia é fazer festa junina com outro nome – da roça, do milho etc – e achar que não é a mesma coisa. E ainda pintar dente de preto (maldição de doença), usar remendos na roupa (maldição de pobreza) e falar errado (maldição de burrice).

Heresia é reconhecer que há algo errado no sistema, não fazer nada para mudar e ainda amaldiçoar quem cansou de dar murro em ponta de faca.

Heresia é pregar que família é mais importante e ter eventos em finais de semana, feriados, no meio da semana e não deixar tempo para as famílias.

Leia também
Errar é humano. Permanecer no erro é heresia

terça-feira, 17 de maio de 2011

Dízimo ou mensalidade do clube?

Interessante que praticamente todas as pessoas que ainda estão no sistema religioso e compartilham comigo sua insatisfação e fazem muitas perguntas sobre minha vida fora do sistema, todas elas me perguntam se eu entrego o dízimo e onde entrego, e a pergunta sempre vem com voz de medo. E quando respondo que não entrego dízimo ou ofertas em nenhuma instituição, a pessoa me olha com olhar mais espantado possível.

Só posso pensar que as ameaças nos púlpitos estão fazendo efeito e as pessoas ficam realmente com medo de serem amaldiçoadas se não entregarem o dízimo e ofertas.

Mas o que me chama a atenção é que essas mesmas pessoas não percebem que as promessas de bênçãos que os líderes religiosos fazem para quem abre a carteira não são cumpridas. Os membros procuram ser fiéis na entrega de seus recursos, mas as bênçãos que os líderes dizem que vão segui-los passam bem longe deles. Porque continuam endividados, os familiares continuam enfermos, os problemas só pioram. E eles não enxergam isso. Sei lá, parece o povo que vive apostando nas loterias, sonhando que um dia vai ganhar.

Sei que escrevi defendendo dízimo e ofertas no meu livro, e até quero pedir perdão por isso, gostaria de poder retirar o que escrevi, porque aquilo fazia parte do que eu acreditava naquela época e agora tenho um novo entendimento, depois que descontruí o sistema religioso.

Quando me perguntam se entrego dízimo e onde, respondo que não e explico meus motivos. Mas não foi tão fácil mudar de opinião como podem pensar. Foi um processo bem longo.

Tudo começou quando li o livro Cristianismo pagão?, de Frank Viola. O livro me trouxe grandes confrontos e mudanças, como já compartilhei aqui em outros posts, mas na primeira vez que li o livro, o capítulo sobre dízimo não desceu bem. Ficava dizendo que não podia deixar de entregar dízimos e ofertas, ficava lembrando de todas as palestras que ouvi nos seminários de libertação, lembrava das minhas próprias experiências nessa área, e não conseguia aceitar o que o livro dizia. Mas guardei no meu coração e fiquei orando, como sempre faço, para que o Eterno me revelasse a verdade.

Um ano depois, quando li o livro novamente, uma parte do texto sobre dízimo fez todo o sentido para mim. Não posso concordar com todo o argumento do autor, quando ele defende o pensamento religioso moderno de que a Lei foi abolida pelo Messias, mas este trecho do capítulo sobre dízimo me chamou a atenção:

“Pode-se traçar um claro paralelo entre o sistema do dízimo de Israel e o sistema moderno de tributação no Brasil. Israel era obrigado a sustentar seus funcionários públicos (sacerdotes), feriados (festivais), e pobres (estrangeiros, viúvas e órfãos) com seus dízimos anuais. A maioria dos modernos sistemas de tributação serve ao mesmo propósito.” (trecho de Cristianismo pagão?)

E os “meus” argumentos começaram a pipocar na minha mente: hoje não há o templo para entregarmos as ofertas; os grupos religiosos não usam os dízimos e ofertas para ajudar pobres, viúvas e órfãos – esse argumento sempre me incomodou, porque conhecia os bastidores do sistema e sabia como eram tratados os necessitados, porque na hora da ajudar os pobres, os líderes fazem campanhas do quilo e os que já entregaram os dízimos, ofertas, compraram na cantina etc etc, acabam sendo intimados a doar alimentos. Jamais tiram dos cofres do sistema, mas tiram do bolso dos membros.

E o mais terrível dos argumentos é que os dízimos e ofertas na época do templo eram também para sustentar os levitas, que erradamente ensinam hoje que são os músicos, mas eles faziam muito mais, inclusive cuidavam dos órfãos e das viúvas. Mas ainda que fossem os músicos, se pelo menos os grupos religiosos pagassem com dignidade aos levitas-músicos seria menos pior. Mas não o fazem, só os líderes principais, zeladores e às vezes secretários recebem salário.

E percebi que contribuí a minha vida inteira com uma injustiça e fiquei muito triste. Os líderes usam textos do que eles chamam de Velho Testamento para justificar a entrega dos dízimos, ameaçam o povo com maldições terríveis, também descritas no Velho Testamento, mas não usam o dinheiro como era usado naquela época. Enfim, alguma coisa estava muito errada. Os líderes recebem gordos salários, carros, casas e são tratados como reis, mas os outros obreiros e “levitas” pagam para trabalhar. Os músicos trabalham em regime de escravidão, não podem viajar no final de semana porque o líder não libera, não podem tirar férias, não podem nada, só trabalhar, comprar e manter seus próprios instrumentos, pagar cursos, estar sempre atualizados com os cânticos mais novos, comprando CDs com seu próprio dinheiro, ufa (para citar apenas um exemplo, porque da mesma forma são os outros colabores, como professores de escola bíblica, líderes de crianças, de adolescentes etc). É triste, vi tudo isso acontecer várias vezes. Um tremendo absurdo.

Percebi que os impostos que pagamos ao governo servem para cuidar dos órfãos, viúvas e pobres, e pagar os funcionários públicos, estes sim, bem mais parecidos com os verdadeiros levitas. Se o governo faz esse papel, então o meu dízimo está sendo entregue através dos impostos – e no Brasil pagamos muito além do que a Bíblia diz para entregar. E também percebi que além de tudo isso, nós brasileiros reclamamos quando pagamos impostos, ou seja, amaldiçoamos esses recursos. E a partir desse entendimento passamos a pagar impostos sem reclamar e também passamos a orar, abençoando esses impostos.

Sim, nós também procuramos fazer além disso. Temos alguns “órfãos e viúvas” que ajudamos, mas não vinculados ao sistema religioso, ajudamos pessoas próximas, amigos e familiares.

Mas se você não tem pessoas próximas para ajudar, pode contribuir com uma instituição que cuida de órfãos, de idosos, que atende a população carente. Se precisar de uma dica, indico o Projeto Social Josias, porque conheço o trabalho deles.

Calma, isso tudo que falei é para quem quer sair do sistema e tem medo das maldições ou para quem já saiu, mas ainda se sente culpado.

Mas para quem não saiu do sistema, para quem está satisfeito com a rotina dominical e com os diversos eventos que o sistema promove, sempre aconselhamos que deve jogar conforme as regras dele. Se a pessoa gosta de frequentar as atividades do sistema religioso, quer encontrar o lugar limpo, confortável, com ar-condicionado – no Rio não dá para ficar sem, rsrs – quer encontrar papel higiênico no banheiro, enfim, quer usufruir do sistema, é totalmente justo que pague a “mensalidade do clube”. Se não vai ser um “espertinho” explorador, que não paga, mas se aproveita do que os outros pagam. Isso não seria nada honesto. Se a pessoa decide se sujeitar à autoridade do sistema, então deve obedecer às suas regras.

Bem, esses argumentos me bastaram para tirar toda a culpa e medo por não entregar dízimos e ofertas em instituições religiosas. E termino lembrando mais uma vez que verdadeiramente conhecer a verdade tem nos libertado dos jugos dos homens. E ser livre é muito, muito, muito bom.

P.S.: Sim, há uma forma para que as bênçãos sigam você, como diz em Deuteronômio: OBEDECER. Mas não é obedecer às regras do seu grupo religioso, é obedecer à Lei do Eterno, à Torah. Então, se você quiser prosperidade e bênçãos, obedeça, principalmente guardando o shabat, DESCANSANDO no sábado e confiando que o Eterno cuida de você. E também pague seus impostos sem reclamar, não sonegue, e seja honesto nos seus negócios. Mas lembre-se da lei da semeadura e da colheita, não queira colher amanhã o que plantou hoje, leva um tempinho para a semente crescer e dar fruto.

segunda-feira, 25 de abril de 2011

Por que os jovens saem da igreja?

(  ) Porque são obrigados a ouvir sermões filosóficos no domingo pela manhã, enquanto seus amigos estão na praia ou nos parques desfrutando a natureza que o Eterno criou.
(  ) Porque eles leem na Bíblia sobre milagres, mas acompanham os pais orarem por mais de 20 anos por um milagre e o milagre não acontece.
(  ) Porque eles leem na Bíblia sobre a Lei do Eterno, mas os pais e líderes não obedecem à Torah.
(  ) Porque em casa os pais são mundanos, desonestos, mentirosos, cruéis, na igreja são "santos".
(  ) Porque os líderes pregam uma coisa e fazem outra.
(  ) Todas as alternativas estão corretas.

domingo, 13 de março de 2011

Os que defendem são aqueles que vivem à custa do sistema

"Os caras que mais se doem com essas pauladas que costumamos dar na instituição são aqueles vivem literalmente à custa dela. Se ela falir – o negócio, a grande fonte de renda ou, para alguns, o bico (a grana extra) – vai tudo pro ralo! Não é nenhum pouco interessante perder dinheiro em pleno século XXI. Por isso a defendem tanto. Por que mais seria?
Está claro que a defendem não porque a amam tanto assim. Aliás, eles não a amam e nem nela acreditam como um dia talvez tenham acreditado. Digo isso, sobretudo, me referindo aos liberaizinhos de plantão, os quais se tornam os mais radicais ortodoxos quando você toca no calcanhar de Aquiles deles – a grana que recebem da igreja." Jefferson Ramalho

P.S.: Jefferson, quando você pergunta Por que mais seria?, creio que posso te dar uma das possíveis respostas. Os líderes religiosos que vivem do sistema o defendem também pelo status de realeza que eles têm. A rejeição é um mal que atinge a todos, e os líderes são "curados" da rejeição, curam suas feridas, seus traumas, usando o povo tão sofrido. Explico.

Você já viu como alguns grupos religiosos tratam seus líderes? Em uma festa, no mesmo salão, na mesa da realeza há copos de vidro, enquanto a plebe usa copos descartáveis, na mesa dos reis há sucos especiais e os serviçais bebem refrigereco. E as festas e homenagens que se fazem aos líderes? Quanta idolatria. Mas só os líderes têm direito, a plebe não tem. Não há festas de aniversário, por exemplo, para todos os membros do grupo, só para os líderes.

E assim os líderes vão se curando da rejeição, da infância pobre, da baixa autoestima, dos seus complexos de inferioridade...

Enquanto a plebe...

Mas não sei quem é pior, se a realeza que gosta de ser tratada assim, ou se a plebe que serve aos reis com tanta abnegação. Não sei quem é mais doente.

Agora me responda, quem é que gostaria de perder isso, de abrir mão de ser tratado como rei e passar a ser servo?

Não há motivo para eu me silenciar

"Reconheço o fato de que muitas coisas que aconteceram em minha vida até chegar no que vivo e experimento de bom hoje começaram no período em que eu me encontrava diretamente envolvido com a igreja institucional. Mas não entendo que isso deva servir de motivo para eu me silenciar." Jefferson Ramalho

Dica de leitura: A igreja não vai acabar! Mas, estou livre dela!

por Jefferson Ramalho
"Não se trata, neste caso, de acreditar em utopia na expectativa de que um dia ela deixe de ser utopia. Não é o caso! Fico lendo alguns dos poucos – mas muito interessantes – comentários que postam nos textos que escrevo aqui no blog. São reações que demonstram diferentes maneiras de olhar aquilo que escrevo."
Continue lendo.

segunda-feira, 24 de janeiro de 2011

Dica de leitura: Confissões de um ex-dependente de igreja

Por PAULO BRABO
"Outro dia um pastor observou que eu deveria confessar ao leitor impenitente da Bacia, que não tem como concluir isso lendo apenas o que escrevo, que não vou à igreja faz mais de dez anos. Ele dava a entender que essa confissão provocaria uma queda sensível na minha popularidade; percebi imediatamente que ele estava certo, e que mais cedo ou mais tarde teria, para podar os galhos da celebridade (porque a fama é uma espécie de compreensão), deixar de contornar indefinidamente o assunto."
Continue lendo.

quinta-feira, 6 de janeiro de 2011

Sem intermediários, o véu se rasgou

O Messias nos deixou o Espírito de Santidade e de Verdade para "ensinar e fazer lembrar". Não precisamos de intermediários. É só ler o Manual.

Ah, tá, pesquisar dá trabalho e você prefere receber tudo mastigadinho a ir direto à Fonte? Então contente-se com o vômito dos outros, como a mãe-passarinho faz com seus filhotes.